sexta-feira, 5 de março de 2010

eu durmo comigo

eu durmo comigo/ de bruços deitada eu durmo comigo/ virada pra direita eu durmo comigo/ eu durmo comigo abraçada comigo/ não há noite tão longa em que não durma comigo/ como um trovador agarrado ao alaúde eu durmo comigo/ eu durmo comigo debaixo da noite estrelada/ eu durmo comigo enquanto os outros fazem aniversário/ eu durmo comigo às vezes de óculos/ e mesmo no escuro sei que estou dormindo comigo/ e quem quiser dormir comigo vai ter que dormir ao lado.






angélica freitas

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

carnaval, desengano

"Estão vendendo a sua cultura

Esta entrevista de Elton Medeiros concedida ao jornalista João Bosco Rabello foi publicada no suplemento cultural de domingo do Correio Braziliense no 22 de janeiro de 1978. Na ocasião, Elton já lamentava os tristes rumos que as Escolas de Samba estavam tomando. Como podemos ver hoje, foi um caminho sem volta: as agremiações de samba tornaram-se um inescrupuloso negócio."



via pratoefaca.blogspot.com

domingo, 31 de janeiro de 2010

Poesia

Dias e noites
tangendo
em meus nervos
de harpa

vivo desta jóia
doentia do universo
e sofro
de não sabê-la
acender
na minha
palavra.



Giuseppe Ungaretti, tradução de Elson Fróes

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Foi um doloroso despertar. Por que as coisas eram tão erradas assim? As perguntas que eu me fazia desde menino um sem-número de vezes subiram novamente a meus lábios. "Por que todos nós somos oprimidos pelo dever de destruir tudo, mudar tudo, confiar tudo à impermanência? É a esse dever desagradável que o mundo chama vida? Ou sou eu o único para quem isso é um dever?" Pelo menos não havia dúvida de que eu era o único a considerar o dever como uma carga pesada.
Finalmente falei:

- Então, você vai embora...Mas claro que mesmo que ficasse aqui, eu teria que partir dentro de pouco tempo...
- Para onde você vai?
- Resolveram mandar-nos viver e trabalhar em alguma fábrica novamente, no começo deste mês ou em abril.
- Mas uma fábrica... Vai ser perigoso, com os ataques aéreos e tudo.
- Sim, vai ser perigoso - respondi desanimado.

Despedi-me tão rapidamente quanto possível..."




trecho do livro "Confissões de uma máscara", de Yukio Mishima.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009


o ar estava úmido: sentiu que iria chover. caminhava sobre a linha hipnótica do meio-fio. pensou em sua mãe. depois no enxame de abelhas que a atacou durante a infância. a mãe pusera-lhe argila nas ferroadas a fim de absorver o veneno. teve vontade de mergulhar para colher seixos, como fazia à época das abelhas - se bem que aquele rio gelado e cheio de galhos agora não parecia o mesmo. um relâmpago e começou a chover.