Shirley é o tipo de pessoa especializada em perder aviões
algumas pessoas realmente nunca conseguem partir
tudo se transforma previsivelmente em desculpas
(sete doses de tequila
e um flerte com um argentino chamado Peco
não foram suficientes para impedir uma salsa
às cinco da manhã)
Embora Shirley não consiga permanecer por muito tempo
no mesmo lugar
é o tipo de pessoa que nunca consegue dizer adeus
seus olhos estão sempre fechados
sonhando com o dia em que possa simplesmente ficar
sem ressalvas.
Shirley bebeu dezenas de cervejas com sua amiga Rebeca
Rebeca acha que uma amizade se faz com muitos brindes
e eventuais pedidos de desculpas
principalmente após algumas doses de tequila
e um discurso fervoroso em defesa de Caio Fernando Abreu
amizade é algo como carregar uma bomba armada dentro do coração
luana vignon
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
.
mobiliando o silêncio
com aquários vazios
vê-se inexistente
uma cor na parede
o que se vê
é um pássaro com sede
de poleiro em poleiro
fazendo voar a gaiola
de novo, rodrigo de souza leão
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
aqui 2

Sou maldito de boutique
Mendiguei no meu quarto
Na sujeira das cinzas
Entre latas de cerveja
Fiz de toda a prisão
Um poema feito pele
À moda das cicatrizes
Que eu deixei em mamãe
Amo toda a profundidade
Mesmo aquelas abissais
E desconfio de mim tanto
Que paro o poema aqui
rodrigo de souza leão
(na foto: ângela ro ro. achei que eles podiam ter se conhecido).
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
o rato e a comunidade
4
Desconhecido que atravessas a rua,
Que há de comum entre mim e ti?
A mesma solidão e a mesma roupa.
Procuras consolo, mas não podes parar.
És o servo da máquina e do tempo.
Mal sabes teu nome, nem o que desejas neste mundo.
Procuras a comunidade de uma pessoa,
Mas não a encontras na massa-leviatã.
Procuras alguém que seja obscuro e mínimo,
Que possa de novo te apresentar a ti mesmo.
Murilo Mendes
Desconhecido que atravessas a rua,
Que há de comum entre mim e ti?
A mesma solidão e a mesma roupa.
Procuras consolo, mas não podes parar.
És o servo da máquina e do tempo.
Mal sabes teu nome, nem o que desejas neste mundo.
Procuras a comunidade de uma pessoa,
Mas não a encontras na massa-leviatã.
Procuras alguém que seja obscuro e mínimo,
Que possa de novo te apresentar a ti mesmo.
Murilo Mendes
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
mundo pequeno

VI
Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.
.
.
do cuiabano Manoel de Barros, em "O Livro das Ignorãças".
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Aquário
Signo colorido da
geometria íntima da
gaiola vítrea
em toda a sua
margem
cúbica
enquanto esbarra
em oceano
restrito
parece que me
contempla (o peixe)
a mim (seu
incompetente
salvador
deslumbrado) –
ondula mínima
mente a água:
é dolorido
todo
universo
finito
wilson nanini
geometria íntima da
gaiola vítrea
em toda a sua
margem
cúbica
enquanto esbarra
em oceano
restrito
parece que me
contempla (o peixe)
a mim (seu
incompetente
salvador
deslumbrado) –
ondula mínima
mente a água:
é dolorido
todo
universo
finito
wilson nanini
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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