tenho te escrito com calma
cartas em um caderno azul
arranco da espiral e não posto
por preguiça ou nem morta
tenho medo da espera
durante dias ou semanas um animal horrível
(espécie de raposa) vai me perseguir
por dentro, ou serei eu mesma
(um rato?) a me roer
enquanto a resposta não chegar
perco muito tempo tentando
dar nomes aos bichos
que sobem a cortina do quarto
Alice Sant'Anna
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O enigma de Hempel
todo corvo é preto
e cada corvo preto
confirma o negrume dos corvos.
se todo corvo é preto então
todo não-preto é não-corvo
e se todo não-preto é não-corvo
então todo corvo é preto.
todo corvo é preto
todo não-preto é não-corvo
e cada não-preto não-corvo
- cada folha verde cada onda
azul cada gota de sangue -
prova o negrume dos corvos.
antônio cícero
e cada corvo preto
confirma o negrume dos corvos.
se todo corvo é preto então
todo não-preto é não-corvo
e se todo não-preto é não-corvo
então todo corvo é preto.
todo corvo é preto
todo não-preto é não-corvo
e cada não-preto não-corvo
- cada folha verde cada onda
azul cada gota de sangue -
prova o negrume dos corvos.
antônio cícero
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
deslumbre
"Os produtos naturais usados pelos povos siberianos para fins medicinais ilustram, por sua definição precisa e pelo valor específico que lhes é dado, o cuidado, a engenhosidade, a atenção ao detalhe e a preocupação com as diferenças que devem ter empregado os observadores e teóricos nesse tipo de sociedade: aranhas e vermes brancos engolidos (itelmene e iakute - esterilidade); gordura de escaravelho negro (ossete - hidrofobia); barata esmigalhada, fel de galinha (russos de Surgut - abcessos e hérnia); vermes vermelhos macerados (iakute - reumatismo); fel de solha (buriate - doenças dos olhos); cadoz, caranguejo de água doce, engolidos vivos (russos da Sibéria - epilepsia e todas as doenças); toque com um bico de picanço, sangue de picanço, insuflação nasal de pó de picanço mumificado, ovo do pássaro kouchka sorvido (iakute - contra dor de dentes, escrófulas, doenças dos cavalos e tuberculose, respectivamente); sangue de perdiz, suor de cavalo (oirote - hérnias e verrugas); caldo de pombo (buriate - tosse); pó das patas do pássaro tilégous moídas (kazak - mordida de cão raivoso); morcego seco pendurado no pescoço (russos do Altai - febre); insuflação da água proveniente do ninho do pássaro remiz (oirote - doenças dos olhos). Somente entre os buriates e limitando-se ao urso, a carne deste possui sete virtudes terapêuticas diferentes; o sangue, cinco; a gordura, nove; o cérebro, 12; a bile, 17; e o pêlo, duas. Também os Kalar recolhem os excrementos empedrados do urso no fim da hibernação para curar prisão de ventre (Zelenine 1952, 47-59)."
em O pensamento Selvagem, de Claude Lèvi-Strauss (A ciência do concreto, 15-49).
em O pensamento Selvagem, de Claude Lèvi-Strauss (A ciência do concreto, 15-49).
terça-feira, 7 de julho de 2009
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